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A produção e utilização do sal datam do início da civilização.
Na Grécia e em Roma o sal era utilizado como moeda nas operações de compra e venda.
Curiosidade: A palavra latina “salário” deriva do termo sal (pois uma parte do ganho das legiões romanas era paga em sal!)
Com um forte poder esterilizador, o sal conserva a comida, impedindo a reprodução de bactérias. Mas cuidado: sal vicia. Quanto mais salgado o alimento, maior a atração por ele.
Por isso, esse aliado inicial da saúde, hoje está sob a mira das entidades médicas.
Quem esclarece as dúvidas mais comuns e orienta para o consumo adequado é o médico nutrólogo e dr. em Ciências dos Alimentos, Edson Credidio.
  • Qual a importância do sal para a saúde?
O sal está diretamente ligado ao volume de fluidos fora das células. Tudo que modifica a quantidade de sal afeta a retenção de líqüidos no corpo. Ele ajuda a regular as passagens de líqüido e de substâncias pela membrana das células. Além disso, o sal é importante para a transmissão de impulsos nervosos.
  • Qual a relevância do sal para a indústria alimentícia?
O sal é um importante “conservante” e atua como “bacteriostático”. Por exemplo, a carne seca e o bacalhau são conservados fora da refrigeração por causa da alta concentração de sal nesses alimentos.
  • Sódio é sinônimo de sal?
Não. A regra é essa: 6 gramas de sal equivalem a 2,4 gramas de sódio. Por isso fique atento na hora de ler o rótulo dos alimentos – eles trazem a quantidade de sódio, e não de sal, que eles contêm.
  • Em média, quanto sal os brasileiros consomem por dia?
Pesquisas realizadas em alguns Estados mostraram que o consumo é de aproximadamente 12 gramas. Esse valor é muito acima do recomendado.
  • Qual a quantidade recomendada?
A recomendação é que adultos ingiram de quatro a seis gramas de sal/dia.
  • Há recomendações específicas para crianças e idosos?
Ambos devem consumir menos sal. Aconselha-se que os pais não adicionem a substância à comida das crianças até os dois anos de idade. Já os idosos devem comer menos sal (o ideal seria cerca de 5 gramas/dia) porque tendem a reter mais sódio. Além disso, com o envelhecimento os vasos perdem naturalmente a capacidade de distensão, sendo mais provável que esses indivíduos desenvolvam hipertensão.
  • Grávidas devem seguir alguma orientação específica?
As regras são as mesmas, de quatro a seis gramas por dia. Como a mulher já tem uma tendência a reter líquidos durante a gravidez, o consumo excessivo de sal pode levá-la a um aumento de pressão, o que pode causar pré-eclampsia.
  • Quem não acrescenta sal à comida ingere pouco sal?
Não. Estima-se que 75% do sal que consumimos seja proveniente de alimentos processados industrialmente. Molhos como ketchup, produtos em conserva e embutidos são as opções mais ricas em sal. Os outros 30% vêm dos alimentos naturais e do sal que adicionamos aos alimentos.
  • Posso suprir minha necessidade diária de sal só com alimentos naturais?
O sódio está presente na maioria dos alimentos, embora em quantidade pequena. Alimentos como carne, peixes e ovos podem suprir essa necessidade. O problema é que nossa alimentação é pobre em iodo, e o sal de cozinha é, por lei, enriquecido com essa substância. O iodo é importante para a saúde (gestantes que têm um consumo insuficiente de iodo, por exemplo, podem ter filhos com distúrbios cognitivos). Por isso, usado com moderação, o sal usado em saladas, por exemplo, faz bem!
  • Em quanto tempo o organismo consegue expelir o excesso após uma alimentação sobrecarregada de sal?
Pessoas normais demoram de um a dois dias para reequilibrar o organismo. Em pessoas com hipertensão, o processo de eliminação do excesso de sal demora de cinco a sete dias.
  • Os efeitos maléficos do sal são o mesmo em todas as pessoas?
Acredita-se que algumas pessoas, por determinação genética, tenham rins que não manipulam bem o excesso de sal no organismo. Por isso, elas seriam mais sensíveis ao sal. Essa característica também está ligada a grupos étnicos: entre negros, por exemplo, a prevalência de pessoas mais sensíveis ao sal é maior. Homens e mulheres também apresentam resistência diferente ao sal. As mulheres, de modo geral, são mais “protegidas” contra os efeitos do sal até o período da menopausa. Depois disso, o risco de ter hipertensão é mais acentuado nelas do que neles.
  • O excesso de sal leva à hipertensão?
Em populações que consomem muito sal, os índices de hipertensão são mais altos à medida que as pessoas envelhecem.
  • Consumir sal em excesso dá celulite?
Não. A retenção de água que o sal promove é intravascular e não na pele. Isso pode causar inchaços nas pernas ou nos dedos da mão, mas não celulite.
O que é o sal light e quais seus benefícios?
O sal light é formado por uma mistura de cloreto de sódio e cloreto de potássio. Embora os dois possam ser chamados de sal, eles afetam o organismo de formas diferentes. Enquanto o potássio regula a retenção de líquidos dentro das células, o sódio age fora das células. Embora seja recomendado a pessoas com hipertensão, o sal light NÃO é indicado para pessoas com problemas renais. Embora o potássio não leve a doenças renais, problemas nos rins levam a um acúmulo de potássio no corpo, o que aumenta os riscos de problemas cardíacos.
  • Quais as diferenças entre o sal marinho e o sal mineral?
Embora sejam extraídos de formas diferentes (o mineral de minas subterrâneas e o marinho, da evaporação da água do mar), os dois apresentam a mesma composição e causam os mesmos efeitos no corpo.
  • Qual a diferença do sal para o glutamato monossódico?
Além do cloreto de sódio, esse tempero possui outras substâncias que realçam o sabor dos alimentos. Como é rico em sódio, ele não pode ser considerado uma alternativa saudável ao sal.
Dicas para reduzir a quantidade de sal
O consumo médio de sódio do brasileiro como vimos pode chegar até 6gramas/dia, sendo que o recomendado para uma pessoa saudável deveria ser não mais que 2,4 gramas. Do total consumido, 2/3 vem do sal colocado em alimentos processados, 1/6 ocorre naturalmente como mineral na comida e apenas 1/6 é sal de mesa. Portanto, parece que preparar as refeições em casa e evitar alimentos industrializados são atitudes que ajudam a diminuir a ingestão desse mineral em excesso. Veja a seguir algumas informações que poderão ajudá-lo a reduzir o consumo de sódio:
Fique atento aos rótulos. Dê preferência à produtos com quantidade de sal reduzida ou sem sal.
– Retire o saleiro da mesa, muitas pessoas tem o reflexo de colocar sal na comida quando vêem o saleiro.
– A quantidade de sal e outros temperos salgados, na maioria das receitas, pode ser reduzida pela metade (ou até mais) sem uma mudança perceptível no sabor ou na textura.
– Abuse de ervas e condimentos, alho, cebola e suco de limão. Eles podem dar um novo sabor para os alimentos.
– Não existem estudos que comprovem que o sal marinho seja mais saudável que o sal de cozinha. O conteúdo de sódio de ambos é semelhante.

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